Canadá – Lions Youth Exchange Program 1999

Começando pelo começo, gostaria de falar sobre a minha primeira viagem internacional.

No meu aniversário de 16 anos recebi a notícia de que havia sido escolhida para participar do intercâmbio do Lions Club. O Lions é tipo o Rotary, uma sociedade de classe. Para participar do intercâmbio de meio de ano deles não é necessário fazer parte do clube. No caso específico do distrito que me ofereceu essa oportunidade, eles tinham um convênio com o curso de inglês que eu fazia, que escolhia os alunos que eles consideravam mais capazes de representar o país para as comunidades anfitriãs pelo mundo. O único requisito mesmo era falar inglês nível intermediário, para conseguir se comunicar com os anfitriões e “se virar” durante a viagem.

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Tipo de viagem: Intercâmbio cultural
Duração: 38 dias
Destino: Canadá
Acomodação: Casa de família
Custos: Taxa de inscrição simbólica (US$ 250 a época) + passagem aérea + seguro viagem + dinheiro para despesas pessoais e emergências (acomodação e alimentação são de graça)
Requisitos: inglês intermediário, ter entre 15 e 21 anos

Eu estava no meio do colegial e até então nunca nem tinha viajado de avião. Meus pais deixaram claro que não teriam dinheiro para pagar por um curso no exterior, mas que se eu conseguisse uma vaga nesse intercâmbio do Lions, eles me bancariam. A escolha dos alunos é feita inteiramente a critério da escola, não existe uma inscrição ou declaração de interesse; bastava estar matriculado que qualquer aluno tinha chances de ser indicado. Então embora eu quisesse muito participar desse programa, foi uma surpresa ter sido indicada no meio do curso (quando eu viajei faltava 1 ano para o fim do curso).

A preparação incluiu diversas palestras sobre tudo, desde como se apresentar às famílias antes da chegada, até como fazer as malas (o que levar, o que é apropriado vestir), que tipo de presentes levar e depoimentos de ex-intercambistas contando como tinha sido a experiência deles. O Lions Club responsável fornece documentos para solicitação de visto, mas é o intercambista que deve resolver a papelada por conta. Assim que passamos por uma entrevista de reconhecimento (já que o Lions não tem contato prévio com os estudantes), fornecemos um pequeno dossiê que é enviado para Lions Clubs do mundo inteiro para análise, de acordo com nossas preferências e perfis. Durante a preparação os resultados vão chegando e somos informados dos locais e das famílias que nos receberão. Embora eu quisesse muito ir para a Europa, eu fazia parte do grupo mais jovem, e para ir para a Europa precisava ser um pouco mais velho, então meu dossiê foi enviado para a América do Norte.

No começo eu não fazia muita questão entre Canadá e EUA, eu meio que achava que seria a mesma coisa, mas confesso que senti um pouco de alívio quando descobri que viajaria para o Canadá, mesmo que para uma cidade pequena. Durante a preparação, tivemos que escrever a mão um trabalho sobre o nosso destino e descobri que o Canadá era um lugar fascinante!

O programa é planejado para coincidir com as férias de verão do hemisfério norte, e mesmo pegando só uma parte do período, ainda era mais tempo do que as férias da maioria dos estudantes daqui. Quando fui informada das datas da minha viagem, tive que fazer um acordo com alguns professores para não perder provas, além de ter que estudar para não tirar nenhuma nota baixa pois não teria chance de fazer prova de recuperação.

Durante os quase 40 dias, o programa dá oportunidade para as pessoas conhecerem culturas diferentes, vivenciarem diferente hábitos e participar de um acampamento com outros intercambistas que estejam na mesma área.

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No embarque, o responsável pelo Lions do distrito que estava nos apoiando estava no aeroporto para dar suporte no check in e também apresentar as famílias e ter certeza de que embarcaríamos juntos. Viajamos de Continental Airlines e meu vôo teve conexão em Nova York e Minneapolis antes de chegar a Winnipeg, na província de Manitoba, Canadá. Foi bom ter companhia, pois tivemos que esperar muitas horas nos aeroportos, além dos mais experientes ajudarem aqueles que nunca haviam estado num aeroporto antes (como eu)!

Naquela época não havia um acesso tão facilitado a internet e a comunicação ainda era feita primordialmente por telefone e fax. Foi assim que avisei minha família dos detalhes do meu desembarque, e junto com a responsável pelo distrito que nos recebeu, eles estavam lá me esperando quando cheguei. E como boa marinheira de primeira viagem, tive minha mala extraviada! Mas todo mundo me ajudou muito para resolver esse problema.

Eu lembro de muitas coisas desse dia. Quando descobrimos que não haveria mesmo chances da minha mala ser achada, fomos fazer compras de supermercado, para matar o tempo enquanto esperávamos uma outra intercambista que eles hospedariam, chegar da Noruega. Lembro que era um clube de compras enorme, com vários estandes de degustação, e que eu pude escolher até o café da manhã (em casa eu tinha sorte se escolhessem um sustagem de sabor menos ruim)! Depois fomos tomar um lanche em um restaurantezinho simpático e fui apresentada aos molhos super apimentados, que seriam um hábito durante a viagem toda (naquela época eu não era nada acostumada a pimenta). E então voltamos ao aeroporto para buscar a norueguesa no fim da tarde antes de finalmente irmos para “casa”.

Minha família anfitriã (que eu chamo de família canadense) mora em uma cidadezinha pequenininha a sudeste de Winnipeg. Naquela época, moravam a mãe, o pai e uma das filhas na casa que eles haviam comprado quando os outros 2 irmãos ainda viviam junto. A casa era bem espaçosa, com 4 quartos grandes e um porão inteiro construído como sala de jogos e televisão. O jardim era médio e dava para um comitério, então era um lugar muito calmo.

Quando chegamos em casa, pedimos uma pizza, que veio cortada em quadrados (o que hoje em dia se chama de formato petisco, mas que na época só me parecia uma forma muito estranha de cortar uma coisa redonda), para jantar, antes que cada um se recolhesse. Como ainda estava claro, resolvi assitir um pouco de tv antes de escurecer. Que demorou muito pra acontecer, porque era alto verão e nessa época do ano o sol se põe lá pelas 22h!

Essa foi realmente uma experiência de muitas descobertas para mim, mas que definiu a forma como eu encaro a vida e o meu jeito de viajar.

Como não era um intercâmbio de estudos, tinhamos bastante tempo livre. O intuito era conhecer a cultura local e tentar mostar um pouco da nossa, então quanto mais tempo passassemos conversando, melhor. E acabava também sendo uma prática, porque meu inglês naquela época não era fluente e eu tive que me acostumar a acordar pensando em inglês (acordei uma vez numa viagem de carro falando português sem nem perceber).

O legal é que na minha família, o pai trabalhava de home office, então quando acordavamos, ele preparava o café da manhã (quase brunch!) e conversava um pouco, nos levava aos lugares que precisassemos (correio, papelaria) e depois nos dava liberdade pra fazer o que quisessemos. Passamos muitas manhãs e tardes vendo tv ou fazendo colagens com fotos, conversando ou passeando com a nossa “irmã canadense”.

Aos finais de semana iamos até Winipeg para passear e fazer compras. Comprei muito cd e fita vhs dos Backstreet Boys naquela época!!! Foi a primeira vez que tive esse contato com tanto consumismo, e esse tipo de liberdade pra fazer as minhas escolhas. Quase enlouqueci!

No meio da viagem, tivemos nosso acampamento, que começou em uma cidade próxima, para apresentação das 7 intercambistas (eu, a norueguesa, 2 finlandesas, 1 dinamarquesa, 1 italiana e 1 canadense). Durante uma semana viajamos pela provincia conhecendo outras cidades e outros clubes Lions e falando um pouco sobre a nossa cultura, além de convivermos umas com as outras, levantando acampamento toda manhã e montando barraca todo dia (com supervisão de adultos responsáveis que nos acompanhavam e viajaram conosco dirigindo as vans).

Quem já participou de um intercâmbio sabe como é possível formar laços de amizade tão fortes em tão pouco tempo. Em 1 semana nós éramos melhores amigas rindo e fazendo algazarra juntas, sofrendo com o calor ou com a chuva e tirando todo o tipo de foto boba. Conhecemos toda a região, comemos refeições diversas, assistimos a um jogo de beisebol, fizemos um aniversário surpresa, nadamos em lagos, saimos correndo da chuva e choramos com a despedida. Porque tudo o que é bom, dura muito pouco…

Nossa família também nos levou para viajar. Fomos até um lago, onde uns amigos emprestaram uma cabana, e visitamos um casal de amigos em outro lago, onde andamos de barco e nos divertimos com as crianças menores. Também visitamos sítios históricos (onde eu descobri essa coisa de representação de época ao vivo) e depois do acampamento voltamos a nos encontrar com algumas pessoas em Winnipeg.

Pra mim foi uma experiência de imersão numa cultura completamente nova, ainda mais naquela época sem internet. Eu vivi como eles, comi como eles, e ainda me diverti. Ir no super mercado de lá por si já era uma novidade! Também tive a chance de conviver com gente de realidades tão diferentes da minha, de fazer tantas coisas diferentes, de ver gente vivendo diferente de como eu vivia.

A experiência foi mesmo bem intensa, e considero a família que me hospedou, minha família. O povo canadense é muito simpático, muito prestativo, mas sem ser foçado. Eles fazem o que fazem pelo prazer de fazer, não porque a sociedade espera isso deles ou porque eles esperam ser reconhecidos. E eles não se levam muito a sério, levam a vida super leve.

Como eu vim de uma cidade onde as pessoas não saem do lugar comum, pra mim essa viagem foi uma janela aberta pro que o mundo tem pra oferecer, mostrando como é fascinante etsra num mundo com tanta diversidade e como é interessante conhecer realidades tão diferentes da sua. Foi a partir dessa viagem que eu soube que eu não queria sair preenchendo uma lista de pontos turisticos visitados, que eu queria conhecer cada canto do mundo da maneira que eles devem ser conhecidos, a fundo, com atenção.

tirando a poeira

Sei que andei meio sumida daqui, mas tive uma pequena crise existencial bloguística e simplesmente não rolou inspiração pra vir aqui postar.

Depois de pensar bastante, acho que já sei que rumo quero dar a este domínio, e espero conseguir criar o conteúdo com fluidez suficiente para não sumir de novo daqui.

Aguardem, que vem novidades!!!

happy birthday, my friend!

Happy birthday, Henrique!!!

É uma pena que eu não possa estar ai pra comemorar o seu dia com você… Era uma das coisas que eu queria muito fazer quando embarcamos nessa viagem louca! Mas eu sei que você está cercado de gente bacana e que vai se divertir! Espero que o dia esteja lindo e iluminado, como você! Aproveite muito essa oportunidade de ouro que a vida está te dando, todos os dias. Você é uma pessoa privilegiada, e nós que gozamos da sua amizade também!!!

o tempo não para mesmo

Nossa, já tem mais de 1 mês que voltei ao Brasil e não sei o que pensar. Parece que foi há tanto tempo, mas ao mesmo tempo parece que foi ontem!

Como eu falei, se eu pudesse ter voltado pra Inglaterra depois do nascimento do meu sobrinho, eu teria voltado sim. Sinto falta do trabalho e dos meus alunos. Queria saber como eles estão, se estão sendo bem cuidados, se estão desenvolvendo suas capacidades da melhor forma possível, etc.

E também sinto um pouco de falta da Inglaterra. Eu fui embora na melhor época, quando o tempo melhora, o dia tem mais sol, não faz tanto frio…

Também perdi de passar o solstício de verão nas pedras de Stonehenge! É o único dia do ano em que a visita é gratuita e você pode chegar perto das pedras, o lugar fica lotado e é uma verdadeira celebração. Henrique T. foi e disse que foi lindo, fiquei feliz que deu certo de ele ir, porque acho que ele queria ver isso muito mais do que eu!

Uma coisa estranha que só senti dessa vez é que me sinto muito deslocada geograficamente!!! Me sinto fisicamete afastada do resto do mundo! As Américas não sabem nada sobre ser o centro do mundo mesmo… Eu lembro que passei um tempão achando que eu era americana demais pra Europa, e talez em algum grau eu seja mesmo, mas existe algo sobre a Europa… Parece mesmo o lugar onde tudo acontece, principalmente das coisas boas!

Mas eu não tô reclamando de estar de volta não. Eu posso ver meu sobrinho crescer (tem uma mãozona!!!), brincar muito com a Brisa e ver meus amigos (que vejo muito menos do que eu gostaria). O momento político-economico é uma droga mesmo, mas tenho fé que vá melhorar e tudo voltará aos trilhos, de uma maneira mais fortalecida até.

willkommen im berlin!

Meu último destino europeu antes de voltar a terra brasilis foi a Alemanha! O que eu queria mesmo era não só ir pra Berlim, mas o tempo e o dinheiro não permitiram e eu decidi que de todos, Berlim é o que merecia minha visita, haha! Bom, também contou muito o fato de que eu estava sozinha e queria um destino seguro pra mulheres. Achei que na Europa, pro meu dinheiro, era minha melhor opção.

Decidi ir de avião porque era mais barato e rápido. Voei Ryan Air. Não dá pra falar muita coisa de uma empresa que tenta ter o mínimo contato com o passageiro, né? No check in tem uma pessoa que confere o passaporte e só, não sei como eles não automatizaram isso ainda! Foda foi ter que ir pro aeroporto no fim da noite e passar a madrugada lá, dormindo no chão.

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O perrengue foi até chegar no hostel. Chegar zuretinha em Berlim, descobrir como funciona de verdade o sistema de transporte (ou entender melhor) e pegar o trem certo foram um pequeno desafio, mas com o tempo fui percebendo que não tinha que ter receio de pedir informações em inglês. Eles são mais simpáticos que os franceses, hehe…

hostel que escolhi, Baxpax Downtown foi ótimo. 2 quadras do trem, rua tranquila, perto de um monte de restaurante, limpo, amplo, boa cama, bom chuveiro e um ótimo bar no térreo.

Currywurst do hotel = salsicha com molho de tomate e pó de curry. salsichão!
Currywurst do hotel = salsicha com molho de tomate e pó de curry. Salsichão!

Meu primeiro passeio foi Alexanderplatz, que eu vi do trem indo pro hostel. É uma praça grande e famosa, cheia de comércio. Como atrai muita gente, tem também gente fazendo performances por todo canto. Parei pra ver um pouco de um grupo de adolescentes com uma coreografia de dança de rua que era muuuuito bom! Também tinha vários cafés com mesas na rua e lugar pra sentar e relaxar. Até deitei um pouco em um banco pra aproveitar aquela atmosfera relaxada, tranquila e segura.

Se Berlim queria me ganhar, conseguiu. O tempo esteve maravilhoso durante toda minha estadia: céu aberto, sol, mas sem estar um calorão e seco! Literalmente não teve tempo ruim não!

Como tinha passado a madrugada no aeroporto, voltei pro hostel depois desse passeio, peguei as chaves do quarto e tirei um cochilo merecido. Pra quem quiser ir pra Berlim, começo de maio é excelente, o sol se põe lá pelas 21h e dá pra fazer muita coisa, inclusive tirar esses cochilos, hehe.

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A comida foi um dos pontos altos também, não comi nada ruim por lá! E tem muita variedade, pra todos os gostos. Como o Henrique T. virou vegano, passei a reparar mais nessas coisas, então em Berlim eu vi muita placa anunciando pratos veganos em diversos restaurantes!

Além da comida ser ótima, os lugares também são muito agradáveis. A hamburgueria da foto acima tinha uma sacada atrás do salão principal muito gostoso, com mesas de pic nic e aquecedores nos sombreiros. E atendimento muito bom também!

No dia seguinte, fiz um passeio guiado de graça pelo centro, pra ver as principais atrações.

O passeio começou no Portão de Bradenburgo, secular. A área é lotada, é onde fica o famoso Hotel Adlon e é do lado do prédio do parlamento.
O passeio começou no Portão de Bradenburgo, secular. A área é lotada, é onde fica o famoso Hotel Adlon e é do lado do prédio do parlamento.

 

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O Denkmal é uma praça cheia de blocos de concreto de diversos tamanhos. É tipo um “lago” que se aprofunda no meio, mas de fora parece que os blocos são mais ou menos do mesmo tamanho, então lá dentro dá uma sensação de opressão. É um memorial às vítimas do nazismo.

 

Na minha memória, o muro era uma coisa muito alta. Vai ver que é porque eu era criança quando o muro "caiu". Hoje esse pedaço é preservado (tem grades ao redor) e próximo a ele tem um museu sobre o regime nazista.
Na minha memória, o muro era uma coisa muito alta. Vai ver que é porque eu era criança quando o muro “caiu”. Hoje esse pedaço é preservado (tem grades ao redor) e próximo a ele tem um museu sobre o regime nazista.

 

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E ali perto, o Checkpoint Charlie, a passagem entre as duas partes da Berlim dividida que os estrangeiros podiam usar.

Depois desse passeio, fui dar uma volta pela cidade, mas era domingo e a maioria das coisas estava fechada. Até a Alexandreplatz estava meio vazia! Pra não dizer que metade do dia foi perdido, me perdi por Unter der Linden e fui parar na região dos museus. É bem movimentada e tem várias feirinhas de rua!

A noite, fui num pub crawl organizado pela mesma empresa que dá esses passeios a pé e foi interessante. Como era domingo, todos os bares estavam vazios! Mas com isso a gente pode interagir mais entre o grupo. Conheci um grupo de canadenses com quem fiz o passeio do dia seguinte, tudo gente boa (claro, canadenses!). A noite ia terminar numa balada, mas passei porque depois não sabia como ia conseguir voltar pra casa e pra esperar o transporte público ia demorar e eu tinha que acordar cedo no outro dia.

No dia seguinte fui pra Oranienburg visitar Sachsenhausen.

Sachsenhausen era um campo de concentração de trabalhos forçados. Foi um dos primeiros e ali na entrada tem um prédio que era onde a SS decidia como os campos deveriam ser geridos.
Sachsenhausen era um campo de concentração de trabalhos forçados. Foi um dos primeiros e ali na entrada tem um prédio que era onde a SS decidia como os campos deveriam ser geridos.

Eu não tinha intenção de visitar um campo de concentração quando cheguei a Berlim, mas a história do período nazista é algo muito forte na Alemanha. E já que eu estava lá, achei que deveria ir lá entender um pouco melhor como é que tudo aconteceu. Sachsenhausen fica há 1h de Berlim e ao chegar na estação, há uma caminhada de uns 30 minutos até o campo. É a caminhada que os presos tinham que fazer nas décadas de 1930 e 1940.

Eu achei que seria um passeio super pesado, nível Hiroshima, mas não. Ao contrário de Hiroshima, não sobrou muito documento do que acontecia lá, nem das pessoas que passaram ali. Não tem muito o que “ver”, apesar de ter 1 museu e um dos barracões montados pra visita.

Os presos chegavam pela Torre Alfa, de onde dava pra ver todos os barracões e toda a moviemntação nessa área. Além da área dos barracões de dos trabalhos forçados, esse campo ainda tinha um centro de formação de oficiais da SS. O centro hoje serve para treinar os policiais de Bradenburgo. Eles dizem que é importante estarem perto do campo para sempre se lembrarem das consequências nocivas do abuso de poder.
Os presos chegavam pela Torre Alfa, de onde dava pra ver todos os barracões e toda a movimentação nessa área. Além da área dos barracões e dos trabalhos forçados, esse campo ainda tinha um centro de formação de oficiais da SS. O centro hoje serve para treinar os policiais de Bradenburgo. Eles dizem que é importante estarem perto do campo para sempre se lembrarem das consequências nocivas do abuso de poder.

O pesado dessa visita foi que não tinha um lugar pra tomar lanche ali dentro, pelo menos na nossa rota de passeio, e eu não levei nada pra comer. O sol estava a pino, mas não muito quente. Só comi 4h depois, de volta na estação.

Nesse dia consegui visitar o Arkaden de Potsdamer Platz, um shopping meio aberto, o Sony Center (amo o Starbucks de lá <3) e o Berlin Mall, gigantesco! Foi a última vez que encontrei com algum dos canadenses, totalmente por acaso na rua. Eles ainda seguiram viagem prelo resto da cortina de ferro por algumas semanas.

Currywurst é a comida típica que todos vão te dizer que tem que experimentar. Prefiro o dogão da usp!
Currywurst é a comida típica que todos vão te dizer que tem que experimentar. Prefiro o dogão da usp!

No dia seguinte voltei pra visitar melhor o muro e o Checkpoint Charlie. O muro, claro, fica lotado. Essa parte preservada fica do lado do prédio onde ficava a Luftwaffe no regime nazista. O prédio é enorme, e um dos poucos que restou com a arquitetura nazista, a cara que Hitler queria dar para seu império. O cara era megalomaníaco.

Também fui dar uma volta pela Friedrichstrasse, uma rua cheia de comércio. Descobri que eles tem até uma pequena Galeries Lafayette! O mais interessante mesmo foi achar a Ritter Sport, a loja conceito da marca onde você pode criar o seu chocolate, adicionando até 3 ingredientes na mistura. E não é caro! No andar superior eles tem um café super gostoso, com uns doces lindos!

Olhem isso! Bateu saudade desse chocolate só de olhar essa foto!
Olhem isso! Bateu saudade desse chocolate só de olhar essa foto!

 

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Achei o lugar tão bom, o atendimento tão legal, que voltei no dia seguinte pro café da manhã de despedida. Olha esse ovo! Além de lindo, delicioso! O pão em Berlim também é ótimo! Embutido então, nem se fala!

 

Além do Ritter, outra chocolateria famosa na Alemanha é a Fassbender & Rausch. São chocolates premium, mas o famoso mesmo da loja são as esculturas de chocolate dos monumentos na cidade. Tem gente que vai lá só pra tirar foto! Os chocolates são mais caros, mas tem mais variedade, tipo bombom recheado.

A única coisa que não gostei de Berlim é que no aeroporto eles não dão saquinho pra líquidos. Cobram 50 centavos de Euro!!! Poxa, na Inglaterra você pode pegar quantos quiser! Só não tava com o meu lá porque não sei como, perdi =( E o cara no Relay do aeroporto foi um grosso que não quis trocar moedinha. Fui mesmo mendigar pros clientes dele, oras. Não custa nada trocar dinheiro, né?

O blog não morre com a minha volta ao Brasil. Daqui umas semanas vou começar a postar sobre outras viagens que fiz, e ainda vou fazer um resumão sobre essa experiência na Inglaterra 😉

london, we meet again, at long last!

Fui embora do camp hill no fim de uma quinta feira. Era dia de reunião na casa, meu último dia oficial de trabalho. Participei sim, porque sou dessas. E o pessoal armou algumas surpresinhas. Chamaram todo mundo, inclusive os alunos, pra uma foto coletiva. É muito raro eles fazerem isso porque tem todo uma política de safeguarding, então me senti bem especial! E também me deram presentes de despedida, inclusive o cd da Adele, porque o SM. sempre fala “Hello” pra tudo e a gente ficava respondendo com “Can you hear me?“, da música dela, e ele aprendeu a dizer isso, haha! A reunião foi sussa pra mim, falei que ia sentir saudades do trabalho e participei ativamente. Inclusive a minha coordenadora ficou perguntando porque eu ia embora, porque eu era a pessoa que sabia o que fazer em várias situações do dia a dia da casa, hehe.

Infelizmente fico devendo a foto do pessoal porque é proibido mesmo postar foto das crianças =(

Fui pra casa do Junior em Londres e na sexta dei um pulo na Harrod’s. Uma loja de departamento enorme, super famosa. A família do último namorado da Lafy Di, o Dodi Al Fayed (que morreu com ela no acidente no túnel de Paris), é a dona hoje em dia e tem um memorial para eles no subsolo. É tão brega que nem tirei foto disso! Mas a loja em si é super luxuosa, bem mais que a Galeries Lafayette em Paris. É meio opressivo até. Dei umas voltas lá dentro, já tava desistindo da vida quando achei o corner da marca própria, e só então consegui viver. Mas mesmo assim só pelas lembrancinhas da cidade. Pra quem ama a família real, tem um espacinho com louças com a cara da rainha até.

É do lado de fora que os pobres mortais se divertem, porque tem umas lojas mais acessíveis, tipo a Zara. E lugares de comer, tipo o Wasabi, que é uma rede de fast food japa. Pra quem procura sustança, recomendo porque a porção de arroz que vem é generosa e o preço é honesto.

Ai passei 4 dias em Berlim, mas conto mais em um post separado.

Na volta, fui no estúdio que a Warner usou pra gravar a saga Harry Potter, que era um dos passeios que eu mais queria fazer lá. Os estúdios Leavesden ficam em Watford, há 1h de Londres. Você pode ou comprar só o ingresso e ir pra lá por conta (de trem) ou então comprar o pacote completo. Pela preguiça, comprei o pacote completo. Devido a alta demanda, os ingressos são vendidos com horário de entrada, e ai você não pode entrar antes… Em época de pico. Como não era o meu caso, chegamos mais cedo e pudemos entrar logo.

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Já na fila tem o armário embaixo da escada onde o Harry viveu até os 11 anos na casa dos Dursley. Engraçado que isso começou a fazer mais sentido quando eu fui morar na Inglaterra. Não que eu ache aceitável, mas sobrados são muito comuns na terra da rainha.

As pessoas entram pouco a pouco em um salão, onde um ator faz uma introdução dramática, com uns vídeos. Ai vamos para uma sala de cinema e de lá, atrás da tela, aparece a entrada para o Grande Salão Principal. Vou confessar que é bem emocionante, porque você se sente um primeiro anista de verdade! Pena que o teto não é encantado, mas todo o resto é muito perfeito!

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Acho que o Grande Salão é onde eu fiquei mais tempo, porque é o primeiro contato e é o impacto de estar mesmo ali no estúdio, vendo a história que eu amo se materializar. Não se enganem, eu acredito mesmo que a maioria dos fãs que estão lá são fãs dos livros, da história, e não só dos filmes. Os filmes têm tanto apelo porque existe uma legião de leitores ávidos por viver aquilo que passamos anos lendo!

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Tem bastante informação de como eles tentaram adaptar aquelas coisas lindas dos livros feitas de mágica, para as telas. E como fazer isso debaixo de holofotes, em dias exaustivos de filmagem. Tem coisa que demorou semanas pra ficar pronto.

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Obviamente não tem a reconstrução completa de todos os cenários usados nos 8 filmes. Ficaram mais aquelas coisas que foram mais usadas, que apareceram mais e em mais filmes.

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A parte mais legal, claro, é estar dentro de Hogwarts!

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A coisa que eu mais queria desse escritório do diretor é a Penseira! Podia ser até vazia mesmo.

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A maior parte dos cenários está numa parte coberta. Além dos cenários em si, tem muitos props, objetos de todo o tipo que tiveram que ser criados pela natureza da história. E tudo tem uma explicação, principalmente de como o departamento de arte teve que inventar esses objetos mágicos… Sem mágica!

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Quem disse que eu não entrei no Expresso de Hogwarts? 😉

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Eu dei a sorte de pegar a casa dos Dursley lá, e ainda esse mês (acho?) eles vão abrir pra ver os cômodos. Eles gravavam in loco, até perceber que seria um cenário recorrente e recriarem a casa no estúdio (aparentemente construir uma casa é mais barato do que pagar pelo uso da imagem e o deslocamento e tals…).

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Eu gostei muito de ver o Bicudo! Nerd? =P

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É indicado separar pelo menos 3h do seu dia para passear ali dentro, e deu certinho. Só que eu não fiquei inspecionando tudo minuciosamente como vi algumas pessoas fazendo, então quem for mais enlouquecido, é bom separar mais tempo. Como disse, não era época de pico, porém comprei um pacote e tinha hora de ir embora. Eu tive tempo de comer e de descansar lá fora, além de ver toda a parte de merchandise. Não comprei nada além de um Funko do Harry porque era tudo muito caro, eu achei lá uma blusa de tricô que era umas 4x mais cara que uma que eu comprei na Primark, ENGOALZINHA! Então #fikdik, visita a Primark em Londres antes de se jogar na lodjenha do estúdio.

Nos outros dias que tive livre, fiz um barhop com a patota portuguesa do Junior e do marido dele e acabamos em uma lanchonete super delicinha, super cara de Vila Madalena/Pinheiros onde comemos um hambúrguer bem honesto, acompanhado de… Vinho tinto! Juro que combina, haha! Não fui pra balada porque ia ficar tarde e caro…

Antes de vir embora, ainda peguei a final do Eurovision, uma competição musical em que cada país escolhe seu representante e ai a Europa inteirinha assiste e vota online ou por telefone. São mais de 20 performances, mas é bem interessante. Tem do ruim, ao bizarro, ao muito bom. Desde o ano passado a Austrália participa como convidada e esse ano eles quase ganharam! Foi divertido porque uns amigos do marido do Junior foram lá e fizeram um jantar bem gostoso, rimos muito e também bebemos consideravelmente. Ah, a Europa pode ser bem divertida!

new beginnings

Quem passa por aqui com mais frequência deve ter notado uma pequena diferença no layout do blog. Estou me preparando pra nova fase dele. Não se preocupem, ainda tenho alguns posts sobre as últimas semanas na Europa, que vou postar nas próximas semanas. Mas quando esse assunto acabar, vou começar a postar sobre as outras grandes viagens que fiz ao longo da vida.

Quando estava em Berlim, conheci um grupo de canadenses que acabou de se formar na faculdade. Um deles se espantou de eu conhecer vários lugares, mas como eu disse, eu só tenho cara de nova, né! Hahaha!

Então o blog não morre só porque eu voltei mais cedo do voluntariado. Keep your eyes open for new posts to come!

see you, great britain!

Então eu resolvi ir embora do voluntariado. Claro que muita gente perguntou porque, e eu vou explicar.

Eu passei 4 meses trabalhando praticamente sem “folga”. Claro que eu tive folga, mas não teve break pra mim nem nada. Cansa, viu? Tava meio de saco cheio de tudo. Mas ai vinha as férias de Páscoa e eu achei que o sentimento de querer ir embora ia melhorar.

Pra quem não sabe, passagem tem validade. Essas que saem em promoção em geral tem 3 meses, ou seja, você pode usar a perna de volta até 3 meses depois que usou a perna de ida. Eu comprei uma passagem de 1 ano, que é mais cara. Porém, também existe uma regra na aviação que não se pode marcar a volta com mais de 300 dias a frente da data em que se está fazendo a reserva. Ou seja, eu não consegui marcar a data de volta da passagem pra agosto, mas claro que eu poderia remarcar a volta pra quando eu quisesse. A última data que conseguiram marcar na minha passagem era pra meio de maio.

Passou as férias e nada mudou em relação a vontade de voltar pra casa. No fim do ano passado, minha cunhada descobriu que estava grávida, e a princípio eu estava ok em perder o nascimento, afinal, bebê não lembra de nada mesmo, mas a medida que a data foi se aproximando, comecei a sentir que estava perdendo um momento importante na vida da minha família. O bebê não vai lembrar se eu estava ou não no hospital quando ele nasceu, mas meu irmão vai. Eu vou.

E somando-se a isso, eu comecei a me irritar de viver na comunidade. Pros jovens é mais fácil, mas eu já tinha uma vida toda independente no Brasil e pequenas coisas começaram a me irritar ainda mais. É internet bloqueada, é não poder receber amigos em casa, é sentir que decisões sobre o meu bem estar eram tomadas sem nem me consultar antes. Tudo isso começou a pesar negativamente e eu senti que não valia a pena passar por esse stress e ainda perder um momento importante.

Foi com dor no coração que deixei o trabalho, porque trabalhar na minha casa era ótimo. Minha coordenadora é a melhor, o time é incrível e os alunos… Eles são demais. Especiais da melhor forma possível. Jamais teria deixado o trabalho, mas a vida na comunidade já não valia mais a pena pra mim.

Muita gente vai parar aqui pra saber se vale a pena fazer esse tipo de voluntariado, e apesar dos pesares, eu digo que vale sim muito a pena. As circunstâncias da vida me fizeram voltar, mas provavelmente se não fosse o meu sobrinho, eu aguentaria mais. Mas algo que aprendi nesse tempo é que a gente não é obrigada a nada e que a gente tem que fazer aquilo que nos faz feliz.

Deixei a Sheiling no dia 5 e minha passagem era pro dia 15. Nesse meio tempo fui viajar, e depois conto um pouco mais sobre isso. Por enquanto, vou me ajeitando de volta ao meu lar. E vou lá curtir o sobrinho <3

spring has sprung! or has it?

O tempo nessa terra é meio louco. Semana passada, última semana de abril, oficialmente primavera a mais de mês e… Nevou por aqui!!! Já tava achando que não ia ver mesmo neve dessa vez, mas ela chegou por aqui… Quando fui pro intercâmbio no Quebec também vi neve no fim de abril, mas né, é Canadá, quando é que não neva? Hahaha!

Essa minha última semana de trabalho foi a mais tranquila possível. Pra mim, parece que os alunos voltaram muito mais felizes do break da páscoa e isso tem feito o trabalho muito mais feliz. É verdade que tivemos 3 dias de incidentes com o M., mas mesmo ele está bem feliz agora. O J. com certeza está menos ansioso, e acho que está feliz também de poder usar o trampolim, já que não tem chovido tanto e os dias são mais longos.

No sábado aparentemente depois que eu terminei meu turno tudo deu errado. Quando voltei para o jantar, meu deputy estava enlouquecido na cozinha tentando fazer 20 coisas ao mesmo tempo! Ai eu fiquei pra ajudar, porque não me custava nada. Acho que a convivência dos voluntários tinha que ser mais assim, mas as vezes eu sinto que a gente vive meio escondido nas nossas horas vagas =/.

Mas nem tudo é caos, e acho que o aluno que voltou melhor mesmo da páscoa foi o SM. Nossa, que pessoa feliz, motivada… Ele tem ajudado muito em tudo, não só no comportamento, mas como ele está feliz, ele ajuda com as tarefas. Ele mesmo se propõe a ajudar e isso o deixa muito satisfeito.

No domingo, ele recebeu um convite pra almoçar em uma das casas em que ele morou quando era criança. Ele falou disso a semana inteira. De manhã foi na missa, depois saiu para uma caminhada e até colheu flores pra dar para a coordenadora da casa anfitriã! No horário, eu o levei até lá, e nossa, acho que nunca vi alguém tão feliz na vida por algo tão simples!!! Ele sentou na cozinha pra conversar, ajudou a chamar todos para o almoço, e até sentou na mesa com todos juntos (em casa ele espera todo mundo entrar)! Fez a prece e esperou todo mundo começar a comer. E na mesa ele tinha a expressão mais feliz, tão feliz que tinha até lágrima nos olhos!!! Ele me olhava com o maior sorriso que eu já vi! Óbvio que no fim ele não queria ir embora, mas fiquei feliz de ter visto isso, e fiquei feliz por ele também =).

No dia seguinte, teve o tal do Sports Day, um dia de gincanas com todo mundo. De manhã eles decoraram um carrinho de mão com o tema escolhido por cada casa e as camisetas com a cor também. Depois do almoço, fomos todos pro descampado participar de várias atividades. É meio que um open day pras famílias também, então vários pais estavam por lá. Eu participei de… 2 atividades, haha! Mas foi legal assistir, e foi um dia bem relax. No fim, todo mundo ganhou medalha e saiu feliz!

Na terça nem era meu dia de trabalho, mas a casa estava um caos de novo a noite e acabei ficando um pouco pra ajudar. Mas vejam bem, agora que a primavera está aqui, os dias escurecem lá pelas 21h… E eu tive que colocar aluno pra dormir as 19h! Por sorte era um aluno que não tem nenhum problema pra dormir, mas foi um dia muito atípico!

O A. foi o primeiro aluno que eu supervisionei quando o ano começou… E acabou sendo o último que eu dei suporte também. Yep, o voluntariado acabou pra mim, estou indo embora (de fato, quando esse post for ao ar, eu já estarei fora daqui). Muitas coisas me fizeram querer ir embora, mas a maior delas é que eu vou ser titia logo menos e eu não quero perder o nascimento do meu sobrinho. No próximo post conto melhor sobre a decisão e a logística. Porque agora eu tenho mala pra fechar!